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Finanças comportamentais: o que? Quais tipos existem? Como aplicar?

Qual a relação existente entre a razão, a emoção e as  escolhas que tomamos ao lidar com o nosso dinheiro? Se você acha que não existe nenhuma, está muito errado.

Cada vez mais estudiosos buscam entender o que existe por trás de nossas atitudes financeiras e o estudo de finanças comportamentais vem ganhando cada vez mais espaço na academia e na sociedade.

Neste artigo vamos entender o conceito de finanças comportamentais, qual o seu significado e origem, além de entender como aplicar para melhorar a sua relação com o dinheiro.

Finanças comportamentais, o que é?


Como já adiantamos, finanças comportamentais é um campo de conhecimento que estuda a relação existente entre a razão (racionalidade), emoção (passionalidade) e as escolhas relacionadas ao dinheiro e a seu uso. 

O campo de conhecimento inova ao mudar o foco do tema, que sempre está inserido na área econômica e desta vez o foco principal é a relação psicológica existente entre o homem e o dinheiro.

O tema se mostrou relevante à medida que estudiosos foram percebendo que determinadas escolhas financeiras feitas pelas pessoas não tinham lógica racional alguma. 

O exemplo mais simples envolve aquela pessoa que gasta mais do que ela gera de receitas. Como explicar casos assim, onde é visível a falta de racionalidade nas escolhas que envolvem decisões financeiras?

A partir de constatações como esta que o campo das finanças comportamentais ganhou força, com o objetivo de compreender como funciona a mente humana nesse sentido para assim buscar respostas que corrijam falhas como esta e gere nas pessoas uma relação equilibrada entre dinheiro, razão e emoção.

Finanças comportamentais e o Nobel de economia


O grande passo para o campo de estudo das finanças comportamentais ocorreu no início dos anos 2000 quando o prêmio Nobel de Economia foi dado para um estudo que relacionava justamente as escolhas financeiras com a falta de racionalidade.

Os psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky realizaram uma pesquisa que analisou o comportamento das pessoas em relação ao risco, que dentro de uma perspectiva econômica era visto como algo a se distanciar.

Porém os psicólogos perceberam que para evitar perder dinheiro as pessoas se arriscavam mais, em um movimento que se afastava da racionalidade. Desta constatação eles desenvolveram a teoria do prospecto, que trabalhava a ideia de que o comportamento financeiro das pessoas não se mostrava tão racional.

Essa irracionalidade se deve também a alguns elementos psicológicos, os chamados vieses comportamentais

Vieses  das finanças comportamentais


Viés da confirmação  

O viés de confirmação é uma tendência que temos de lembrar somente dos argumentos que pesam a favor de nossas crenças, desejos, ideias, ou escolhas. 

No plano das finanças comportamentais podemos dizer que o viés da confirmação pode ser usado para que a pessoa faça uma escolha irracional e pouco lógica, mas que ele a faz se utilizando de algo que se apresenta como óbvio.

Vamos imaginar que você tem bastante interesse em investir na bolsa de valores uma parte de seu salário e que tende a colocar o seu dinheiro numa companhia X, que tem demonstrado números instáveis em seus últimos balanços financeiros.

Então, estamos contra o fato de que investir na bolsa carrega um grande risco, que a empresa em questão não apresenta números favoráveis, que um investimento seguro pode ser o de renda fixa, dentre outros argumentos.

E a favor temos o fato de que o retorno financeiro gerado pode ser muito maior e mais rápido e que a empresa em questão já passou por momentos difíceis nos últimos tempos e sobreviveu.

Percebeu como há um contraste entre argumentos prós e contras? E que ainda assim, pelo viés da confirmação, esta pessoa tende a acreditar que investir na bolsa, nesta empresa X, é um ótimo negócio.

Falácia do apostador

A falácia do apostador acontece quando uma pessoa acredita de maneira errada que um evento aleatório tem probabilidade maior ou menor de acontecer por conta de eventos passados, independentes ou série de eventos.

Esse exemplo no campo das finanças comportamentais serve para ilustrar escolhas erradas feitas com base na ideia de que o resultado desta escolha pode ser previsto.

Efeito manada

Um dos vieses comportamentais mais conhecidos é o do efeito manada. Nesses casos você acaba sendo vítima por não desenvolver análise crítica e sempre fazer escolhas com base no que a maioria está fazendo ou pensando.

Na área das finanças comportamentais podemos exemplificar através da pessoa que investe seu dinheiro em algo somente porque muitas outras pessoas estão investindo.

Esse é um erro abominável pelo simples fato de que uma situação válida para a pessoa x pode não ser a mais adequada para você. 

O efeito manada pode ser evitado através da busca de informações em fontes confiáveis, além de muita leitura sobre temas financeiros.  

Efeito dotação

O efeito dotação leva as pessoas e investidores a crerem que seus bens valem mais do que eles realmente valem. Esse comportamento afeta as suas escolhas econômicas, e proporciona diversas possibilidades de perdas.

Isso acontece muitas vezes por acharmos que aquele bem vale mais do que as pessoas querem pagar e isso impede uma transação financeira favorável.

Contabilidade mental 

Descrito por Richard H. Thaler, o viés de contabilidade mental é muito utilizado e ele nos leva a tratar nosso dinheiro de maneiras distintas, a depender da sua origem. Isso é um erro muito comum.

Esse viés pode ser ilustrado com o caso da pessoa que trata o dinheiro do salário de uma forma, o dinheiro que recebe de prêmios de outra forma, o dinheiro que ganha de bônus de outra, e assim vai criando uma relação desequilibrada com o seu dinheiro. 

Efeito de disposição

O efeito de disposição é um viés bem simples de se entender. Ele faz com que a gente tenha receio e medo em vender ativos e bens que perderam valor e que tenha inclinação a vender bens e ativos que subiram de preço. 

Esses contextos nem sempre representam uma lógica certa e entender os valores reais de um bem ou de um ativo vai te ajudar a ter uma ideia real sobre valores, independente de suas oscilações momentâneas.

Como as finanças comportamentais podem te ajudar


Enquanto campo de estudo e conhecimento as finanças comportamentais podem te ajudar a entender como a sua relação com o dinheiro é baseada e a partir daí gerar em você respostas melhores sobre o uso.   

Ela pode te ajudar a: 

  • Perceber qual a motivação por trás do gasto de certos itens, mesmo quando você se compromete a poupar dinheiro.
  • Perceber como amigos e família e outros podem estar usando as suas emoções para te influenciar, positiva ou negativamente.

Se você compreender tudo que está por trás de suas escolhas financeiras, a sua resposta frente às situações do dia a dia serão bem melhores. 

As finanças comportamentais te dão conhecimento necessário para que você consiga equilibrar o papel que a emoção exerce sobre suas ações com o dinheiro.  

Conclusão

O tema Finanças comportamentais é muito rico em produção de conhecimento, de estudos e de relevância. Entender o que se passa na cabeça de alguém que acaba de tomar uma decisão claramente errada e irracional é um grande passo para entendermos como funciona a nossa mente quando o assunto é dinheiro.

E você, já pensou em como as finanças comportamentais podem te ajudar a ser um investidor, empreendedor mais equilibrado e bem sucedido?

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